Night of Living Thrashers II
15 de Outubro de 2008
Inferno Club - Rua Augusta – São Paulo/SP
São Paulo recebeu no feriado do dia 15 de novembro a 2ª edição do evento “Night of Living Thrashers” organizada pela Cospe Fogo Produções. Um feriadinho sem graça num sábado quente merecia algo melhor e esse evento foi o algo melhor do dia, e bota melhor nisso. O evento estava para iniciar às 17h, algo diferente de ser ver já que as maiorias dos eventos iniciam muito mais tarde, porém eu admito que foi uma bela e acertada escolha dos organizadores, afinal, começando as 17h (que na verdade foi lá pelas 18h e pouco) os shows encerraram as 23h e pouquinho também, ou seja, muita gente que depende de transporte público e é da região da grande São Paulo ou mais além conseguiu vir e ir embora sem ter que ficar esperando metrô abrir ou ônibus voltar a circular como de costume em eventos underground e que é uma grande merda, eu já fiz isso várias vezes e sempre que tenho que enfrentar tal situação, fico desanimado fácil. Fora que o local fica numa região bem estruturada no quesito acessibilidade a transporte coletivo.
Sempre gosto de pontuar esses itens, horário, localização, etc, afinal de contas, se você quer organizar um evento decente, tem que pensar sim em como as pessoas vão chegar e como elas irão embora, a Cospe Fogo acertou em cheio na decisão.
Já a escolha da casa, o Inferno Club, tem seus prós e contras, afinal ela não tem uma estrutura muito legal para digamos banheiros e ventilação, principalmente quando tem um público muito grande na casa, aquilo lá parece um inferno realmente e fazendo jus ao seu nome, outro ponto a se levantar são os valores cobrados para os bebes. Eu não sou hipócrita e sei que o proprietário do Inferno quer lucrar e cobra os valores que acha justo para a “noite paulistana” e a região onde está, etc, etc Já freqüentei o local antes, mas era pra ficar no máximo umas 2 horas e não estava tão cheio assim, por isso é algo mais tranqüilo, porém acredito que para esse evento especificamente os valores poderiam ser mais baixo, afinal cerveja a R$ 5,00 e água a R$ 4,00 não é lá muito amigável a um evento onde você espera que quem venha participar fique dentro de um local quente e abafado por um mínimo de 4 horas e sem querer ser chato, é notável que o público thrasher presente não é lá um público “burguês” com grana sobrando no bolso, outro ponto é que não havia nada pra comer literalmente falando, ou seja, sentiu fome negão, se vira e rói as unhas.
Acredito que o lance de valores e estrutura de banheiros, por exemplo, são os contras do Inferno Club, afinal falando em palco, som, tamanho, organização e localização a casa manda muito bem, eu consegui comprar meu ingresso rapidamente e comprar bebidas também (nem tinha tanta gente bebendo também né?), fora que assisti ao evento numa tranqüilidade interessante, o palco não é muito alto, mas está ótimo e casa tem um bom tamanho para o público presente, que não foi pouco.
Bom, voltando ao evento em si, como disse, ele começou lá pelas 18h e pouco, eu consegui chegar e entrar na casa as 18:30h por aí e já estava rolando o set do Criminal Mosh, banda de São Paulo/SP, formada em 2006 e que pratica um Thash/Core que ao vivo me pareceu muito mais interessante do que eu havia ouvido antes no MySpace da banda, mesmo que o som deles lá já é bom. A banda é nova e lançou esse ano seu primeiro material, a demo “Ensaio Tosco” com 4 músicas cujas qual você pode ouvir lá no MySpace deles. O Criminal Mosh é formado por Diego (Baixo e Vocal), Fernando HC (Bateria), Marcelo Thrash (Vocal) e Fábio (Guitarra e Vocals). Como disse antes, eu peguei o set deles no meio e pelo que eu vi já valeu a pena, entre seus sons próprios e um cover do Discharge (que eu não me lembro mais qual foi, me desculpe Criminal Mosh!) os caras conseguiram já botar o público que estava ali presente (ainda não tinha muita gente) pra rodar num mosh agitado e animado, o vocal Marcelo Thrash tem boa presença no palco e conseguiu fazer a empolgação geral aumentar logo ali no começo deixando-os aquecido pelo que vinha depois e não era pouco.
O Criminal Mosh pelo que eu vi conseguiu fazer o que poucas bandas de abertura de um evento conseguem, deixar as pessoas animadas e sedentas por mais e mais. E foi uma boa surpresa e belo cartão de visitas para quem queria conhecê-los melhor como eu.
Findado o show do Criminal Mosh, lá no palco tinha começado a correria para arrumar o equipo do Infected que veria depois e eu dei um tempo pra olhar uma banquinha de materiais que estava disponível no evento e beber uma cerveja. Conseqüência, menos 30 conto no bolso e 2 novos álbuns no bolso (peguei o excelente “Chemical Assault” do Violator e o fudido “The Dead Shall Rise to Kill” do Sodomizer).
No palco as coisas começaram a ficar prontas e o Infected começou seu set. Eu também não conhecia muito sobre o Infected, a não ser o que havia ouvido no MySpace deles, maravilha que as redes sociais proporcionam aos apreciadores de sons extremos nos tempos atuais, se fosse a 10 anos atrás eu teria que pegar uma fita K7 com alguém, ou seja, seria difícil eu conseguir ouvir o Infected. Sabia também que eles estão por aí já desde 2002 e que tem integrantes do Side Effectz, Em Ruínas, Blasthrash, Farscape e Guillotine, o line-up é formado por Rodrigo Infectz (Guitarra e Vocal), Bruno “Mad Butcher” (Baixo), Henrique Perestrelo – (Guitarra) e Hugo Golon (Bateria), que estavam para anunciar o lançamento de seu debut álbum “Who is not?” pela Mutilation Records no evento e trazer algumas unidades pra vender lá e que o nome Infected é muito comum dentro do metal mundial, sendo que contando por baixo eu me lembro de umas 10 bandas com o nome, mas quem disse que isso é ruim? Enfim, sabia disso tudo, mas nunca tinha visto o quarteto ao vivo. E foi muito foda.
O set do Infected começou com a música “Fear” (presente no seu debut), mas logo no começo ela foi interrompida por causa de problemas com a bateria do Hugo Golon, o som também apresentava alguns problemas de volume, mas no decorrer a primeira música esses “detalhes” foram arrumados e o set fluiu muito bem. No decorrer tocaram mais faixas do debut como “Possession”, “Hate”, “Violent Reaction”, “Fight to Survive”, “The Damned Land” conseguindo assim fazer os thrashers presentes no local abrir um mosh fudido num headbanging com vontade, realmente o Infected conseguiu deixar o evento que até então já estava animado ficar mais empolgante ainda. Tocaram também cover dos veteranos clássicos do crossover estado-unidense M.O.D. “True Colors” e um clássico do underground brasileiro, precisamente do grande ABC, cujo qual eles incluíram no demo deles no ano passado “Dirty Bitch” do MX, fazendo jus a velha Rua Augusta (se permitem tal comparação), essa música fechou o set deles (em torno de 1 hora no máximo) e trouxe ao palco o Diego Nogueira, baixista do Blasthrash para cantar junto com o baixista Hugo (que assumiu os vocais nessa homenagem a esse clássicaço) encerrando a parte que lhes cabia em clima de festa.
Final de mais um show, ambiente quente, galera suada, encosta-encosta melado (no bom sentido hein?) e o papai aqui também, o Inferno Club estava fazendo jus ao seu nome e o evento estava realmente muito foda. No palco corre-corre para organizar o set vindouro, logo ali estaria o Blasthrash com a proposta de fazer o mosh ficar mais feroz, e pelo jeito os thrashers queriam mais, e eu estava entre eles, o evento prometia mais ainda e a expectativa no ar estava interessante, aliás, é interessante ver isso em shows underground, geralmente “expectativas” ocorrem mais em eventos com bandas gringas e já famosas.
Pausa pra tirar a água dos joelhos, beber mais umas duas birras, fuçar os vinis na banca (e separar mais 1 item pra pegar depois, lá se foram mais 20 mangos com o vinil picture fodido “The Third Storm” do Apokalyptic Raids).
Lá pelas 20:20h começou o set do Blasthrash, antes do show rolou um murmúrio sobre a presença do baterista Rafael Sampaio, pelo que eu soube ele sofreu um acidente, foi atropelado ou algo assim, mas parece que nada muito grave aconteceu, afinal ele estava lá e o set do Blasthrash começou quebrando tudo com o thrash metal oitentista da banda comendo solto e fácil, proporcionando a mim a entrada de vez no mosh e pernas pro ar, ainda bem que meu joelho podre agüentou. O quinteto thrasher formado por Dario Viola (vocal), Henrique Perestelo (Guitarra), Rodrigo Schmidt (Guitarra), Diego Nogueira (Baixo) e Rafael Sampaio (Bateria) executaram músicas do álbum “No Traces Left Behind” lançado em 2005, das antigas demos e do próximo lançamento “Violence Just for Fun” (inclusive era pra ser lançado nesse evento também, mas eu não tenho maiores informações sobre ele), lembrar dos nomes das faixas e a seqüência já é pedir demais e eu não pedi uma cola do set pra eles (foi mal ae Blasthrash!). Eu já havia assistido o Blasthrash em 2004 ou em 2005 (não me lembro agora) em Sorocaba (quando tocaram junto com o Violator também) e as impressões eram ótimas, visto que pra mim é uma das grandes bandas que surgiram nesse “revival” do Thrash Metal e o show que tinha assistido havia me deixado com saudades. E como eu imaginava não decepcionaram (com baterista atropelado ou não) e conseguiram apimentar ainda mais o furioso mosh que estava rolando no Inferno, cabeleiras voavam (no meu caso, a careca e o suor) e eles mandando tudo numa velocidade intensa, confira 2 vídeos do set deles: “Like a Living Dead” e “Psychotic Minds” pra você conseguir ter uma idéia (ah! Youtube faz milagre, fudido poder assistir isso).
É incrível que até aquele momento nenhum show havia decepcionado, pelo menos a mim não e a julgar pelos sorrisos e a cara de satisfação ao observar o público presente se alguém não gostou esse alguém pertence a uma classe ao qual eu prefiro que seja exterminada.
Bom, e como eu gosto de escrever e descrever algo que eu gostei (não sei se você gosta de ler, mas enfim, se chegou até aqui acho que sim) ainda falta falar de mais 2 bandas que fizeram o Inferno ficar mais quente ainda. Vamos lá.
A próxima banda a tocar foi o (ou a?) Lobotomia, e caso não saibam o Lobotomia é uma das banda fodas “crássica” do HC/Punk da cena underground brasileira, são lá dos idos de 1984 e a julgar por tudo isso, é de se esperar que coisa boa viesse da véiarada (desculpem-me pela parte “véiarada” Lobotomia, é que eu nasci em 1983, daí né…). Bom, eu nunca tinha assistido até então eles ao vivo e posso dizer que minha felicidade por estar apreciando um show como esses só aumentou, o quarteto formado pelo insano Marco (Vocal), Grego (Bateria), Carlinhos (Guitarra) e André (Baixo) iniciou o set com “Indigentes do Amanhã” do álbum auto-intitulado e lançado em 1986 fazendo o mosh intensificar e a roda ficar mais veloz (o que fez aumentar a ventilação lá dentro e melhorando o calor infernal). Marco é um sujeito caricato e subiu no palco com uma roupa de enfermeiro e segundo ele, pegou emprestado de um enfermeiro lá do hospício de onde veio, bom, e a julgar pelo desempenho desse homem, eu não duvidaria dessa história, e que foda que foi isso, pois ele conseguiu deixar o evento mais empolgante ainda, um frontman nato esse louco, literalmente falando, inclusive teve até o momento que ele foi junto com o público num stage diving animal. A (o?) Lobotomia fez um set de mais ou menos 1 hora e executou umas 14 músicas, dentre elas “Política Sionista”, “PMA”, “Flecha Certeira”, “Mosh to Die”, “Manicômio”, etc, etc. O set se baseou entre seus álbuns clássicos e o álbum “Extinção” lançado (ou está em vias de) esse ano. Pra mim foi uma puta surpresa a apresentação da Lobotomia, eu sabia da história da banda e estava com uma expectativa grande pela apresentação deles e posso afirmar que foi bem acima delas. Confira aí abaixo um vídeo do set deles e saquem a porrada que foi esse evento (tá ruinzinho):
Bom, posso dizer que se o evento acabasse nesse momento eu me dava por muito feliz, satisfeito e grato a produção e a todas as bandas, mas não cabron, estava no momento do nome mais aclamado no cenário thrasher brasileiro no momento (não, não estou chamando vocês de astros seus putos!!! Isso não existe no cenário underground e ainda bem, digamos assim), pois é cambada, quem diria que o Violator iria chegar nesse nível, quer dizer, quando ouvi o EP “Violent Mosh” em 2004 que o Rolldão (Kill Again Records e Metal Blood Magazine) me enviou eu já fiquei doido pelo som que saia daquela bolachinha e tinha certeza que os moleques lá de Brasília seriam capazes de movimentar mais a cena brasileira. Pois bem, me confirmei disso quando os assisti em Sorocaba em 2005 (acho que é esse ano mesmo), na ocasião os putos entraram no palco lá pelas 4 da madruga, num friozinho maldito e fizeram “chover no sertão” pra um público que se chegasse a 20 ou 30 pessoas diria que era muito.
E, passado 4 anos eu vi que o quarteto conseguiu disseminar seu old thrash “fucking” metal pelo país e pela gringa (visto a coletânea da Earache Recods que eles participaram, a tour sul-americana e pela confirmação de algumas datas no exterior agora em Dezembro e Fevereiro do ano que vem), pois é, e não poderia ser diferente, e ficou fácil notar a quantidade de camisetas do Violator sendo usada pelo público e a expectativa grande que estava no ar.
Lá pelas 22h é iniciada o último show da noite, o Violator com Pedro “Capaça” (Guitarra), Márcio “Cambito” (Guitarra), Pedro “Poney Ret” (Vocal/Baixo) e David “Batera” Araya (Bateria) começaram quebrando tudo em seu set com músicas do último play lançado “Chemical Assault”, do EP “Violent Mosh”, algumas coisas novas e fazendo todos vibrar com “Let the Violation Begin”, “Thrash Maniacs”, “Atomic Nightmare” e a mais foda ainda “The Plague Never Dies” (que eu acho que encerrou o show, não me lembro direito). Fato foi que eles encerraram o evento com dignidade e abriram o palco (que já estava tomado pra dizer a verdade) para que os bangers pudessem usufruir de espaço pra voar pra cima do mosh. Eu admito que estava esperando muito nessa noite pela apresentação do Violator, assisti a todas as bandas e me surpreendi pela qualidade do cast e a empolgação da platéia, o evento foi realmente foda, mas admito que os candangos do Violator conseguiram tirar o fôlego da platéia e fazer o mosh ficar ainda mais violento (como eles mesmo propõem né?) e botando um ponto final no evento, afinal duvido muito que a grande maioria ali tivesse a pegada de encarar mais uma banda. Confira mais aí abaixo nos vídeos uma amostra como foi o show do Violator (afinal, vídeo algum consegue mostrar o que é um show de verdade, concorda?).
Bom, e assim foi esse evento fudido. Gostei da proposta do evento desde a primeira vez que fiquei sabendo dele, do nome, do flyer e dos casting de bandas, da organização (Parabéns a Cospe Fogo Produções), não gostei só um pouco do Inferno Club como descrevi lá em cima e encerro por aqui, (pois já deu uma carta porra) agradecendo ao Guilherme Alan por algumas fotos e ao Ivan Jacaré por permitir republicar aqui algumas fotos que ele publicou também no Flickr dele.
Vinícius Vidal é assim, é assado. Porra!
Site | E-mail | Todos os posts de Vinícius Vidal




































[...] negão, e após quatro anos eu pude comprovar isso ao comprar esse play no “Night of Living Thrashers 2” que ocorreu no mês passado aqui na Rua Augusta. E que pusta aquisição foi esse material, quando [...]
Saudações! quero obter contato e divulgar a horda Amazarak em teu web zine se possivel!
Sangue e Honra
Resenha NOLT II…
São Paulo recebeu no feriado do dia 15 de novembro a 2ª edição do evento “Night of Living Thrashers” organizada pela Cospe Fogo Produções. Um feriadinho sem graça num sábado quente merecia algo melhor e esse evento foi o algo melhor do dia,…
[...] na 3ª edição em Novembro do ano passado onde suei feito um porco, levei umas cotoveladas e fiz a resenha aqui ó, não consegui nem ir e nem falar a respeito da 4ª edição que rolou em Março lá no Inferno [...]
[...] Cospe Fogo Produções. Um feriadinho sem graça num sábado quente merecia algo melhor e … Leia a resenha completa Posted in Resenhas [...]